Domingo Costa

Brasil desbanca Canadá e Austrália e lidera exportação de carne bovina para EUA

O Brasil desbancou Canadá, Austrália, Nova Zelândia e México e, pela primeira vez, liderou as exportações de carne bovina para os Estados Unidos. Em janeiro, os norte-americanos importaram 45,4 mil toneladas dessa proteína do Brasil, volume que sobe para 71 mil toneladas no acumulado do primeiro bimestre.

Os dados foram divulgados pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quarta-feira (6). O desempenho dos brasileiros nos meses de janeiro e de fevereiro deste ano supera em 446% o do primeiro bimestre de 2021.

O Brasil vem sendo importante no abastecimento de carne dos Estados Unidos. Nos dois primeiros meses do ano passado, os brasileiros forneceram 7% do total de carne bovina importada pelos norte-americanos. Neste ano, o percentual sobe para 25%, conforme os dados do Usda.

As exportações de todo o ano de 2021 somaram 168 mil toneladas equivalentes carcaça, acima das 100 mil de 2020.

Os Estados Unidos são competidores do Brasil nas exportações de proteínas. Ao contrário dos brasileiros, no entanto, também são grandes importadores. Neste ano fiscal corrente, de outubro de 2021 a fevereiro último, as importações dos EUA de carne bovina somaram 505 mil toneladas.

Assim como ocorre no Brasil, o setor externo agropecuário dos EUA vem obtendo recordes no comércio internacional. Para este ano, as estimativas são de exportações totais de US$ 183,5 bilhões e importações de US$ 172,5 bilhões.

Nos cinco primeiros meses do ano fiscal, as receitas somam US$ 84,1 bilhões, com avanço de 9% em relação ao mesmo período anterior. Em ritmo maior, as importações cresceram 21%, atingindo US$ 79,2 bilhões.

A carne suína brasileira também ganha espaço no mercado norte-americano. No primeiro bimestre deste ano, o Brasil exportou 3.783 toneladas para os Estados Unidos, 121% a mais do que em igual período anterior.

É um recorde para o país, que, neste período, assumiu a quinta posição no ranking dos principais fornecedores dessa proteína para os norte-americanos.

O avanço das proteínas do Brasil no mercado norte-americano é importante porque os Estados Unidos são referência para outros países nas exigências sanitárias e na qualidade das carnes.

Ainda alta A inflação dos produtos agropecuários no atacado perdeu força em março, mas ainda mantém uma taxa elevada. A alta foi de 2,28%, segundo o IGP-DI da FGV, acumulando 9,52% no trimestre.

Pressões Entre as altas mais representativas no índice de preços do atacado estão soja e fertilizantes. O diesel, grande fator de custos para os produtores, lidera a lista, com evolução de 17% no mês passado.