Domingo Costa

Práticas sustentáveis precisam ser viáveis economicamente, diz presidente do Conselho de Meio Ambiente da CNI

As práticas sustentáveis precisam ser viáveis economicamente e gerar resultados para atrair empreendedores e investidores. Essa foi a afirmação de Marcos Guerra, presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante cerimônia de abertura da 6ª edição do evento CNI Sustentabilidade, nesta quarta-feira (4), em Brasília. O objetivo é debater tendências de negócios, tecnologias inovadoras, oportunidades e desafios na agenda do desenvolvimento sustentável. “As iniciativas de sustentabilidade devem ser incorporadas à estratégia do negócio e não caracterizadas por ações de compensação”, disse Guerra. 

Ele destacou que nos últimos cinco anos, desde quando ocorreu a Rio+20, houve avanços das ações da indústria para a conservação do meio ambiente e para a eficiência no uso dos recursos. No entanto, é possível melhorar o engajamento do setor industrial na agenda da sustentabilidade. “Um ambiente institucional política e economicamente estável e com o propósito de incentivar a sustentabilidade é condição necessária, mas não suficiente para avançarmos de forma consistente”, ressaltou.

Guerra mencionou que os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), são uma oportunidade para promover inovações nos negócios. “Observar os ODS como insumo para estratégias empresariais e políticas públicas é uma forma de articulação mais efetiva entre os objetivos sociais, ambientais e econômicos”.

Ele entregou ao secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente Everton Lucero, que representou o ministro José Sarney Filho, os 18 documentos que mostram iniciativas industriais para promover o desenvolvimento sustentável. “A sustentabilidade precisa estar no centro da definição de políticas públicas. Precisamos de todos para que o tema entre na pauta econômica do país para que possamos ir para novos patamares de desenvolvimento”, afirmou Lucero.

INOVAÇÃO – Para o diretor do BRICLab da Universidade de Columbia, Marcos Troyjo, a sustentabilidade está fortelemente ligada à Indústria 4.0 – que engloba tecnologias de automação e troca de dados e utiliza conceitos de sistemas ciber-físicos como internet das coisas e computação em nuvem. Nesse sentido, destaca o especialista, um dos principais desafios será a formação de profissionais capacitados para lidar com essa nova realidade. “Estamos saindo da manufatura para a mentefatura”, afirmou Troyjo.

Segundo ele, a geração de valor não estará mais conectada à geração de emprego. “Muitos dos 14 milhões dos desempregados hoje no Brasil voltarão ao mercado de trabalho nos próximos 18 meses. No entanto, outros não conseguirão se reinserir nesse novo mundo que vem por aí”, disse Troyjo. “A palavra-chave para esse momento é re-capacitação e re-treinamento.”

O presidente-executivo da Volans Ventures, John Elkington, que criou o conceito do Triple bottom line – o tripé da sustentabilidade, que engloba o social, o ambiental e o econômico –, destacou que além do emprego, as mudanças futuras trarão outros desafios, como cybercrimes, mais pessoas adoecendo de depressão, distribuição de informações falsas, entre outros. “Isso são indicações de que a agenda da sustentabilidade é sistêmica em que empresas terão cada vez mais dificuldades de cumprir com os acordos”, afirmou.

Elkington elogiou os esforços da CNI de reunir informações  de aspectos sociais e ambientais do setor industrial brasileiro e, sobretudo, de olhar para toda a cadeia de fornecedores, que envolve empresas de menor porte. Destacou ainda que a mudança climática pode trazer muitas oportunidades para os negócios. “Ninguém sabe ao certo que impacto terá 1,5ºC a 2ºC de aquecimento. Poderá trazer consequências dramáticas, mas o homo sapiens tem uma capacidade de fazer coisas incríveis quando estão encurralados”, ressaltou Elkington.

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