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Inflação desacelera nos EUA, mas mantém patamar alto

A alta dos preços ao consumidor nos Estados Unidos desacelerou acentuadamente em abril, à medida que os preços da gasolina recuaram de níveis recordes, sugerindo que a inflação provavelmente atingiu um pico.

No entanto, a alta dos preços deve continuar forte por algum tempo e fazer com que o Fed (Federal Reserve) continue a tentar esfriar a demanda.

O índice de preços ao consumidor subiu 0,3% no mês passado, taxa mais baixa desde agosto passado, disse o Departamento do Trabalho nesta quarta-feira (11). Isso contrastou fortemente com o aumento de 1,2% registrado em março, que foi o maior desde setembro de 2005.

Mas a desaceleração é provavelmente temporária. Os preços da gasolina, que foram responsáveis pela maior parte do recuo na taxa de inflação mensal, estão subindo novamente e estava em cerca de US$ 4,161 (R$ 21) por galão no início desta semana, depois de terem ido abaixo de US$ 4 (R$ 20,5) em abril, de acordo com a Administração de Informação Energética.

A Guerra da Ucrânia é o principal catalisador para o aumento dos preços da gasolina, e também tem elevado os preços globais de bens.

O Fed aumentou, na semana passada, a taxa de juros em 0,5 ponto percentual, maior alta em 22 anos, e disse que começará a reduzir sua carteira de títulos no próximo mês. O banco central dos Estados Unidos começou a aumentar os juros em março.

Nos 12 meses até abril, os preços ao consumidor aumentaram 8,3%. Embora essa tenha sido a primeira desaceleração do índice anual desde agosto passado, marcou o sétimo mês consecutivo de aumentos superiores a 6%. O índice de preços ao consumidor subiu 8,5% em março nessa base de comparação, o maior alta anual desde dezembro de 1981.

Economistas consultados pela Reuters projetavam avanço de 0,2% em abril e de 8,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A inflação mensal provavelmente irá acelerar. As leituras anuais devem diminuir ainda mais à medida que os grandes aumentos do ano passado saem do cálculo, mas permanecendo acima da meta de 2% do Fed pelo menos até 2023.

A política de tolerância zero da China contra a Covid-19 deve colocar mais tensão nas cadeias de fornecimento globais, elevando os preços dos bens. Os preços de serviços como viagens aéreas e hospedagem em hotéis também devem manter a inflação elevada em meio tanto à forte demanda durante o verão e à escassez de trabalhadores.