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Facebook arquiva relatório que mostrava links antivacina e anti-China entre mais populares

Quando o Facebook divulgou, na semana passada, seu primeiro relatório trimestral sobre as postagens mais vistas nos EUA, Guy Rosen, vice-presidente de integridade, disse que a rede social havia feito “uma longa jornada” para ser “de longe a plataforma mais transparente da internet”.

A lista mostrava que os posts com maior alcance tendem a apresentar conteúdo inócuo, como receitas de cozinha e animais simpáticos.

O Facebook tinha preparado um relatório semelhante para os primeiros três meses do ano, mas os executivos não o divulgaram ao público por temer que daria uma imagem negativa à companhia, segundo emails internos enviados por executivos e compartilhados com o jornal The New York Times.

Nesse relatório, que teve cópia fornecida ao Times, o link mais visitado era uma reportagem com um título que sugere que a vacina contra o coronavírus foi a culpada pela morte de um médico na Flórida.

O relatório também mostrava que uma página do Facebook do The Epoch Times, um jornal anti-China que dissemina teorias conspiratórias de direita, foi a 19ª página mais popular na plataforma no primeiro trimestre de 2021.

O relatório estava prestes a ser divulgado ao público quando alguns executivos, como Alex Schultz, vice-presidente de analítica e diretor de marketing do Facebook, discutiu se ele causaria um problema de relações públicas, segundo emails internos. A companhia decidiu arquivá-lo.

“Consideramos anteriormente divulgar o relatório”, disse Andy Stone, um porta-voz do Facebook, “mas, como sabíamos que ele atrairia muita atenção, exatamente como vimos nesta semana, quisemos fazer algumas modificações no sistema.”

Brian Boland, ex-vice-presidente de marketing de produtos do Facebook, disse que havia muitos motivos para desconfiar de dados coletados e divulgados por uma empresa que tem um histórico de proteger seus próprios interesses.

“Você não pode confiar num relatório que é curado por uma empresa e dedicado a combater uma narrativa da imprensa, mais que à transparência realmente significativa”, disse Boland. “Cabe aos reguladores e a autoridades do governo nos trazer essa transparência.”

No relatório da semana passada, que cobriu o conteúdo público visto no Feed de notícias do Facebook de 1º de abril a 30 de junho, links populares incluíram reportagens locais, um GIF de gato e um site de ex-membros do time de futebol americano Green Bay Packers.

Posts populares, que foram vistos por dezenas de milhões de contas, incluíam perguntas e respostas sobre vírus e memes.

A maior parte do esboço de relatório da companhia, como o que o Facebook divulgou na quarta-feira (18), mostrava que os 20 links mais vistos no Facebook nos EUA eram de conteúdo apolítico, como sites de receitas e reportagens sobre a Unicef, o fundo para crianças da ONU.

Mas o relatório rejeitado também continha o artigo sobre a morte do médico na Flórida. O título do artigo do jornal The South Florida Sun Sentinel e republicado por The Chicago Tribune era: “Médico ‘saudável’ morre duas semanas depois de ser vacinado contra Covid-19; CDC está investigando o motivo”.

Esse link foi visto por quase 54 milhões de contas do Facebook nos EUA. Muitos comentaristas do post levantaram perguntas sobre a segurança das vacinas. Seis dos 20 que mais compartilharam vieram de páginas públicas do Facebook que habitualmente publicam conteúdo antivacinas na plataforma, segundo dados da CrowdTangle, firma de analítica de redes sociais de propriedade do Facebook.

Outros grandes compartilhadores da reportagem incluem páginas do Facebook nas Filipinas que apoiam o presidente Rodrigo Duterte, um grupo pró-Israel e uma página chamada “Só os Fatos”, que se descreve como “expondo a verdade mesmo quando a mídia não o faz”.

Meses depois, o relatório do médico legista disse que não havia evidências suficientes para dizer se a vacina contribuiu para a morte do médico. Um número muito menor de usuários do Facebook viu a atualização.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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