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Economia: situação do Brasil hoje é grave

A situação da econômica hoje do Brasil é grave e não está isolada do resto do mundo.

Quando o presidente fala que tem que rezar torce, deixa claro o despreparao para governar o presidente está dizendo
que se combate à inflação com reza. A inflação é um fenômeno monetário e o banco central tem que ter um mandato independente para
combater a inflação.

O presidente reconheceque a economia brasileira passa por “problemas”, como o avanço da inflação, mas voltou a jogar a culpa pela situação no colo dos governadores.

O avanço nos preços do gás de cozinha – que, em algumas regiões do País, já supera os R$ 100, corroendo o poder de compra da população – também foi colocado por Bolsonaro como culpa dos governadores.

A lentidão da retomada econômica adia o início da recuperação dos números de Bolsonaro e reduz a janela da reeleição. Para piorar, o aumento do custo de vida e a manutenção do desemprego em patamares altos continuam a derrubar a popularidade do presidente. A cada dia, ele tem um déficit maior para reverter e menos tempo para a missão.

Pelas estimativas do especialista, a dívida pública bruta deverá chegar a 85% do Produto Interno Bruto (PIB), o “que provavelmente será a segunda ou a terceira pior entre os países emergentes”. A inflação não dará sinais de trégua, segundo o economista. Ele prevê que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deverá chegar a 9,3%, em agosto, no acumulado em 12 meses, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), em 10%. “Vale dizer que essas taxas não estão muito melhores do que o pico atingido em janeiro de 2016 de 10,7% no IPCA. Corremos o risco de novas revisões para cima a depender da piora adicional de tarifas na energia que ainda podem acontecer e sem esquecer que a variante Delta tende a manter o estrago nos canais mundiais de distribuição, agora afetando com mais intensidade a Ásia. Para piorar, os serviços estã o acelerando e poderemos ver a taxa chegar a rapidamente a 4% nos próximos meses com a saı́da da pandemia. Com isso, fizemos revisão do IPCA de 2021 de 7% para 7,3% e marginalmente 2022 de 4% para 4,1%”, explicou.

De acordo com Vale, Bolsonaro enfrenta seu turning point, assim como os outros presidentes, “mas sem mostrar a capacidade política para sair dela”. No documento, ele destacou que todos os ex-presidentes da República acabaram enfrentando esse momento no terceiro ano de mantado, desde José Sarney até Dilma Rousseff.

“Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva tinham uma economia favorável, com o primeiro ainda recebendo os louros do fim da hiperinflação e o segundo com a economia em aceleração de crescimento, sendo que a economia era menos favorável para FHC no terceiro ano do segundo mandato do que foi para Lula no mesmo perı́odo. Collor não viu seu quarto ano, mas Dilma viu o início de um processo recessivo que perdurou até sua queda em 2016”, escreveu.

Para Vale, o caso de Dilma, que acabou sendo tirada do poder como avanço da Lava Jato que acabou sendo extinta por Bolsonaro, talvez seja exemplar de como a história poderá se virar contra o atual presidente. “O caso de Bolsonaro, há um conjunto de elementos negativos que são piores do que o
impacto da Lava Jato e dos movimentos de 2013. Primeiro, a pandemia extremamente mal conduzida que caminha para matar 600 mil brasileiros. Em segundo, uma reação mal conduzida da pandemia que está gerando uma crise econômica em potencial para 2022. E terceiro, assim como FHC no terceiro ano de seu segundo mandato, a crise hı́drica poderá ser um forte agravante, especialmente, com a confirmação de um novo La Niña que deve trazer
secas para a região Sul e Sudeste e manter a pressão nos nı́veis dos reservatórios dessas regiões”, explicou.

O economista reduziu, na semana passada, de 1,8% para 1,4% a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022 e não descarta novos cortes, devido à polarização das eleições entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além do aumento dos riscos fiscais. “O cenário de 2022 será dramático, com baixo crescimento e inflação alta. Para uma mudança, será preciso um novo regime político, porque haverá uma tensão entre os candidatos. Temos um presidente que parou de governar e um ministro da Economia em dificuldade enquanto o Centrão amplia a dominância no governo”, lamentou, em entrevista ao Blog. Pelas estimativas de Vale, o dólar continuará valorizado, voltando para R$ 5,50, e os principais indicadores de inflação deverão ficar entre 9,5% e 10%, algo que não era muito diferente do registrado no fim de 2015, quando foi iniciado o processo de impeachment da ex-presidente Dilma

Em janeiro de 2016, a taxa básica da economia (Selic) estava em 14,25% e agora está em 5,25%. “Não queremos dizer, obviamente, que a Selic
voltará para esse patamar. Mas a economia melhorou nos meses seguintes com a queda de Dilma e daqui para a frente a tendência não é de melhorar, mas sim o contrário”, alertou. Entre janeiro de 2016 e outubro daquele ano o câmbio caiu 21%. Seria como dizer que o câmbio chegaria a R$ 4,3 em 10 meses, segundo Vale. “Dada uma eleição mais do que conturbada, certamente o câmbio não vai ser elemento de ajuda. Além disso, a recomposição das tarifas de energia já tinham acontecido em 2015”, acrescentou.